Durante os últimos cinco anos de trabalho no desenvolvimento de software fui responsável por entender os requisitos e necessidades dos usuários/clientes e transformá-las em um sistema de qualidade que atenda às expectativas de todos envolvidos no projeto e principalmente pelos que o usarão.
O nicho de mercado em que atuo lida diretamente com técnicos, muitas vezes renomados, que possuem seus próprios conceitos de como as aplicações/ferramentas devem funcionar, desta forma é difícil criar ferramentas reusáveis, ou seja, criamos ferramentas com a mesma função, mas com roupagens diferentes, tal roupagem mina as práticas de reuso, outro problema recorrente é criarmos ferramentas com base no conhecimento técnico do cliente e ao vê-las prontas elas não atendem ao que usuário final precisa ou são de extrema dificuldade de uso, atrapalhando o usuário ao alcançar seu objetivo, muito embora satisfaça um desejo do técnico responsável.
Me questiono sobre qual seria meu papel no projeto, que não o de tradutor de desejos e organizador de ideias. Neste ponto nada mais faço do que traduzir estes desejos e ideias em ferramentas que muitas vezes não se encaixam com a realidade, ora por inviabilidade técnica ou financeira. Um trabalho nada gratificante.
Mas como então deveríamos agir para que estas ideias fossem mais próximas do mundo real, ou que essas elas tivessem um relacionamento com outras e pudessem contribuir para o desenvolvimento de algo mais bem fundado e que pudesse ser compartilhado com outros técnicos de outras áreas.
Não vejo outra forma que não a de influenciar estas mentes. Em meu entendimento uma Empresa com este problema deve atuar menos como desenvolvedora de sistema e mais como agência de publicidade, criando campanhas, divulgando quais são as práticas e ferramentas para construir um projeto de sucesso, atuando em eventos e disseminando o conhecimento que muitas vezes só circula dentro dos escritórios de projetos de software. Nestes meios de comunicação apresentamos as formas de atender aos desejos utilizando ferramentas possíveis, apresentando a estes clientes visões realistas sobre como trabalhar com o conjunto de ferramentas que a empresa oferece. Além de eventos devemos ter meios de comunicação fixos que disseminem essas informações através de revistas, blogs e propagandas em papel, mostrando quais são os caminhos e finalmente direcionando o cliente para que ele resolva seus problemas com um conjunto de ferramentas viáveis, sustentáveis e bem arquitetadas, para que no final das contas todos gastem energia e intelecto com algo comprovadamente útil.